A Superdotação só pode ser confirmada após os 6 anos. Será?

ERRADO. Primeiro, precisamos entender que a superdotação é um modo de ser, viver, sentir e perceber a vida e as vivências. A arquitetura cerebral diferente do que é tido como padrão possibilita ao indivíduo uma intensidade, complexidade e profundidade em suas percepções. Isso também acarreta em capacidades avançadas de raciocínio, memorização, criatividade e aprendizado. A observação clínica pode ser iniciada desde o nascimento por aqueles que suspeitem de uma superdotação. Bebês e crianças novas já trazem indícios de alta memorização, raciocínio lógico avançado, impaciência e irritabilidade (tédio) com certos estímulos e informações, interesses precoces com assuntos complexos para a idade, curiosidade intensa entre outras. É comum vermos crianças superdotadas que aos 2, 3 ou 4 anos já sabiam ler e escrever, ou ainda que já conheciam todo o mapa mundi, e aquelas que, em tenra idade, já dominavam a base da matemática. É um equívoco enorme alguns profissionais dizerem que a superdotação só pode ser confirmada após os 6 anos. As famílias que optam por aguardar os 6 anos para investigar correm o risco de trazer prejuízos a essas crianças (principalmente se a criança já apresenta desafios sociais), pois a superdotação precisa de ambientes favoráveis para florescer toda a sua potencialidade e prevenir o desenvolvimento de questões de patologias de ordens psicológicas e emocionais. O teste padrão ouro mais eficiente nos dias de hoje, o WISC, só pode ser aplicado a partir dos 6 anos, porém já existem instrumentos, também padrão ouro, validados e capazes de identificar a condição em crianças a partir de 2 anos e meio. E isso pode ser o que confunde os profissionais ou talvez pelo desconhecimento. Esses testes mencionados são restritos aos psicólogos. Portanto, sempre sugerimos às famílias que procurem profissionais da psicologia, de preferência especializados em neuropsicologia, e também em superdotação e diagnóstico diferencial. É essencial juntamente uma avaliação com profissionais da pedagogia (psicopedagogo/neuropsicopegago) pois esses profissionais também possuem ferramentas capazes de indentificar a superdotação e é uma aliada para auxiliar nos desafios escolares.