Elas vieram para sacudir o mundo e colocar à prova o verdadeiro sentido das regras. Essas crianças são um verdadeiro desafio e levam muitos pais a acreditarem que estão fracassando porque não conseguem colocar limites. Levam muitas escolas a acharem que a culpa é realmente da criação ou que seja um caso de algum transtorno do neurodesenvolvimento. Ainda é muito forte a ideia de que crianças têm que obedecer ao adulto acima de qualquer coisa. Ainda prevalece nas escolas a figura do aluno ideal, que é aquele que permanece sentado por longas horas prestando atenção e fazendo tudo pontualmente. E de repente vem um serzinho que não se contenta com meias verdades, buscando explicações lógicas, enfrentando pais e professores, a verdadeira criança mimada e sem limites, que sempre acaba fazendo o que quer, mas que na verdade só está em busca de um verdadeiro sentido para viver. A superdotação traz um funcionamento ou talvez um “disfuncionamento” capaz de confundir falta de limites, falta de educação, petulância, gênio difícil, sem educação, com dificuldades em muitas questões, incluindo emocionais. Ninguém sabe até que ponto é um ou outro. Mas o peso do próprio nome e a expressão “muito inteligente” acabam anulando todas as possibilidades das referidas dificuldades sobrando então a enorme culpa para os pais de estarem criando mal os seus filhos e um enorme sentimento de inadequação nessas crianças. Apesar dos pesares, essas crianças tem quebrado muitos paradigmas em âmbito familiar e escolar, pois obrigá-las a funcionar no padrão típico tem gerado altas explosões emocionais e até adoecimentos. Isso tem feito com que os familiares e profissionais repensem as estratégias de direcionamento e até mesmo busquem conhecimentos para lidarem melhor com esses indivíduos. Crianças superdotadas irão nos testar e nos fazer refletir tudo o que aprendemos sobre educação e criação de filhos, e também sobre o desenvolvimento infantil, psicológico e pedagógico. Manter-se aos antigos costumes não possibilitará conexões com essas crianças. E sem isso, nada fará sentido.. É necessário coragem para quebrar os paradigmas e atendê-las da forma que elas precisam, respeitando sempre sua essência!